Cristo, não César, é o Cabeça da Igreja

 

Uma Causa Bíblica para o dever da Igreja Permanecer Aberta.

Cristo é o Senhor de tudo e todos. Ele é a única cabeça verdadeira da igreja (Efésios 1:22; 5:23; Colossenses 1:18). Ele também é o Rei dos reis – soberano sobre toda autoridade terrena (I Timóteo 6:15; Apocalipse 17:14; 19:16). A Igreja Comunidade da Graça (Grace Community Church) sempre se manteve imutável sobre esses princípios bíblicos. Como Seu povo, estamos sujeitos à Sua vontade e ordens, conforme revelado nas Escrituras. Portanto, não podemos e não concordamos com a suspensão imposta pelo governo em nosso culto congregacional semanal ou outros encontros coletivos regulares. O cumprimento seria desobediência aos claros mandamentos de nosso Senhor.

Alguns pensam que uma afirmação tão firme está inexoravelmente em conflito com a ordem de estar sujeita às autoridades governamentais estabelecidas em Romanos 13 e I Pedro 2. As Escrituras exigem obediência cuidadosa e consciente a toda autoridade governante, incluindo reis, governadores, empregadores e seus agentes (nas palavras de Pedro, “não apenas para quem é bom e gentil, mas também para os que são maus” [I Pedro 2:18]). Na medida em que as autoridades governamentais não tentam afirmar autoridade eclesiástica ou emitir ordens que proíbam nossa obediência à lei de Deus, sua autoridade deve ser obedecida se concordamos com suas decisões ou não. Em outras palavras, Romanos 13 e I Pedro 2 ainda amarra a consciência de cada cristão. Devemos obedecer às nossas autoridades civis como o próprio Deus ordenou.

No entanto, enquanto o governo civil é investido da autoridade divina para governar o estado, nenhum daqueles textos (nem qualquer outro) concede aos governantes civis jurisdição sobre a igreja. Deus estabeleceu três instituições da sociedade humana: a família, o estado e a igreja. Cada instituição tem sua esfera de autoridade com limites jurisdicionais que devem ser respeitados. A autoridade de um pai é limitada à sua própria família. A autoridade dos líderes da igreja (que lhes é delegada por Cristo) é limitada aos assuntos da igreja. E o governo é especificamente encarregado da supervisão e proteção da paz e bem-estar cívico dentro dos limites de uma nação ou comunidade. Deus não concedeu aos governantes civis autoridade sobre a doutrina, prática ou política da igreja. A estrutura bíblica limita a autoridade de cada instituição à sua jurisdição específica. A igreja não tem o direito de se intrometer nos assuntos familiares e ignorar a autoridade dos pais. Os pais não tem autoridade de gerenciar questões civis enquanto envolver funcionários do governo. Da mesma forma, funcionários do governo não tem o direito de interferir nos assuntos eclesiásticos de maneira que desconsidere a autoridade dada por Deus aos pastores e anciãos.

Quando qualquer uma das três instituições excede os limites de sua jurisdição, é dever da outra instituição reduzir esse excesso. Portanto, quando qualquer funcionário do governo emite ordens regulamentando a adoração (como proibição de cantar, limite de assistência ou proibições contra reuniões e serviços), ele ultrapassa os limites legítimos de sua autoridade ordenada por Deus e arroga para si mesmo a autoridade que Deus concede expressamente apenas ao Senhor Jesus Cristo como Soberano sobre o seu reino, que é a igreja. Seu governo é mediado por igrejas locais através dos pastores e anciãos que ensinam Sua Palavra (Mateus 16:18-19; 2 Timóteo 3:16-4:2).

Portanto, em resposta à recente ordem do estado que exige que as igrejas da Califórnia limitem ou suspendam todos reuniões indefinidamente, nós, os pastores e anciãos da Grace Community Church, respeitosamente informamos aos nossos governantes que eles excederam sua jurisdição legítima, e a nossa fidelidade a Cristo nos proíbe de observarmos as restrições que eles querem impor em nossos cultos públicos.

De outra forma, nunca foi prerrogativa do governo ordenar, modificar, proibir ou delegar a adoração. Quando, como e com que frequência a igreja adora não está sujeita a César. O próprio César é quem está sujeito a Deus. Jesus afirmou esse princípio quando disse a Pilatos: “Nenhuma autoridade teria sobre mim, se de cima não te fosse dada” (João 19:11). E porque Cristo é cabeça da Igreja, os assuntos eclesiásticos pertencem ao Seu Reino, e não a César. Jesus desenhou uma gritante distinção entre esses dois reinos quando Ele disse: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12:17). O próprio Senhor Jesus sempre deu a César, o que era de César, mas Ele nunca ofereceu a César o que pertence exclusivamente a Deus.

Como pastores e anciãos, não podemos entregar às autoridades terrenas nenhum privilégio ou poder que pertença somente a Cristo como cabeça de Sua igreja. Pastores são aqueles a quem Cristo deu a tarefa e o direito de exercer Sua autoridade espiritual na igreja (I Pedro 5:1-4; Hebreus 13:7, 17) – e somente a Escritura define como e a quem eles devem servir (I Coríntios 4:1-4). Eles não tem nenhuma obrigação de seguir ordens de um governo civil tentando regular o culto ou a governança da Igreja. De fato, pastores que cedem sua autoridade delegada por Cristo na igreja a um governante civil, abdicaram de sua responsabilidade perante seu Senhor e violaram as esferas ordenadas por Deus de autoridade, tanto quanto o funcionário secular que impõe ilegalmente sua autoridade à Igreja. A declaração doutrinária de nossa igreja inclui este parágrafo há mais de 40 anos:
 

Ensinamos a autonomia da igreja local, livre de qualquer autoridade ou controle externo, com o direito de autogoverno e liberdade da interferência de qualquer hierarquia de indivíduos ou organizações (Tito 1:5). Ensinamos que é bíblico que as igrejas verdadeiras cooperem entre si para a apresentação e propagação da fé. Cada igreja local, no entanto, através de seus pastores e interpretação e aplicação das Escrituras, deve ser o único juiz da medida e método de sua cooperação. Os pastores devem determinar todos os outros assuntos de associação, política, disciplina, benevolência e governo também (Atos 15:19-31; 20:28; I Coríntios 5:4-7, 13; I Pedro 5:1-4).

 
Em resumo, como igreja, não precisamos da permissão do estado para servir e adorar nosso Senhor como Ele ordenou. A Igreja é a preciosa noiva de Cristo (II Coríntios 11:2; Efésios 5:23-27). Ela pertence a Ele somente. Ela existe por Sua vontade e serve sob Sua autoridade. Ele não tolerará agredir sua pureza e nenhuma violação de Sua liderança sobre ela. Tudo isso foi estabelecido quando Jesus disse: “Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18).

A própria autoridade de Cristo está “muito acima de todo governo, autoridade, poder e domínio, e todo nome que se possa referir não somente nesta era, mas também na vindoura. E [Deus o Pai] colocou todas as coisa debaixo dos pés de Cristo, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Efésios 1:21-23).

Consequentemente, a honra que devemos, com razão, a nossos governadores e magistrados terrenos (Romanos 13:7) não inclui conformidade quando esses funcionários tentam subverter a sã doutrina, moralidade bíblica corrupta, exercer autoridade eclesiástica ou suplantar a Cristo como chefe da igreja de qualquer outra maneira.

A ordem bíblica é clara: Cristo é o Senhor sobre César, não vice-versa. Cristo, não César, é o cabeça da Igreja. Inversamente, a igreja não governa de maneira alguma o estado. Novamente, estes são reinos distintos, e Cristo é soberano sobre ambos. Nem a igreja nem o estado tem autoridade superior a do próprio Cristo, que declarou: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28:18).

Observe que não estamos desenvolvendo um argumento constitucional, até porque a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos afirma expressamente este princípio em suas palavras iniciais: “O Congresso não fará nenhuma lei respeitando um estabelecimento de religião ou proibindo o livre exercício do mesmo”. O direito a qual estamos apelando não foi criado pela Constituição. É um daqueles direitos inalienáveis concedidos unicamente por Deus, que ordenou o governo humano e estabelece a extensão e as limitações da autoridade do estado (Romanos 13:1-7); Nosso argumento, portanto, não é propositalmente fundamentado na Primeira Emenda; baseia-se nos mesmos princípios bíblicos em que a própria emenda é fundamentada. O exercício da verdadeira religião é um dever divino dado a homens e mulheres criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27; Atos 4:18-20; 5:29; cf. Mateus 22:16-22). Em outras palavras, a liberdade de culto é um mandamento de Deus, não um privilégio concedido pelo Estado.

Um ponto adicional precisa ser feito neste contexto. Cristo é sempre fiel e verdadeiro (Apocalipse 19:11). Os governos humanos não são tão confiáveis. As Escrituras dizem: “o mundo inteiro jaz no Maligno” (I João 5:19). Isto se refere, é claro, a Satanás. João 12:31 e 16:11 chama ele de “o príncipe deste mundo”, o que significa que ele exerce poder e influência através dos sistemas políticos deste mundo (cf. Lucas 4:6; Efésios 2:2; 6:12). Jesus disse sobre ele: “ele é mentiroso e o pai da mentira” (João 8:44). A história está cheia de lembranças dolorosas de que o poder do governo é fácil e frequentemente abusado por maus propósitos. Os políticos podem manipular estatísticas e a mídia pode encobrir ou camuflar verdades inconvenientes. Portanto, uma igreja discernente não pode cumprir passiva ou automaticamente se o governo ordena o fechamento das reuniões congregacionais – mesmo que a razão apresentada seja uma preocupação pela saúde e segurança pública.

A igreja por definição é uma assembleia. Esse é o significado literal da palavra grega para “Igreja” – ekklesia – a assembleia dos chamados para fora. Uma assembleia sem assembleia é uma contradição de termos. Os cristãos são, portanto, ordenados a não abandonar a prática de se reunir (Hebreus 10:25) – e nenhum estado terreno tem o direito de restringir, delimitar ou proibir a assembleia de crentes. Sempre apoiamos a igreja subterrânea em nações onde o culto congregacional cristão é considerado ilegal pelo Estado.

Quando os funcionários públicos restringem a frequência da igreja a um determinado número, eles tentam impor uma restrição que, em princípio, torna impossível para os santos se reunirem como igreja. Quando funcionários públicos proíbem louvores nos cultos, tentam impor uma restrição que, em princípio, torna impossível para o povo de Deus obedecer aos mandamentos de Efésios 5:19 e Colossenses 3:16. Quando funcionários públicos ordena o distanciamento, eles tentam impor uma restrição que, em princípio, torna impossível experimentar a estreita comunhão entre os crentes que é ordenada em Romanos 16:16; I Coríntios 16:20; II Coríntios 13:12 e I Tessalonicenses 5:26. Em todas essas esferas, devemos nos submeter ao nosso Senhor.

Embora nós, na América, possamos não estar acostumados a invasões governamentais na igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, esta não é a primeira vez na história da igreja que os cristãos tiveram que lidar com excedentes do governo ou governantes hostis. De fato, a perseguição da igreja pelas autoridades governamentais tem sido a norma, não a exceção, ao longo da história da igreja. “De fato”, “a Escritura diz, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:12). Historicamente, os dois principais perseguidores sempre foram o governo secular e a religião falsa. A maioria dos cristãos mártires morreram porque se recusaram a obedecer a essas autoridades. Afinal, foi isso que Cristo prometeu: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (João 15:20). Na última das bem-aventuranças, Ele disse: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” (Mateus 5:11-12).

À medida que a política do governo se afasta dos princípios bíblicos, e à medida que as pressões contra a igreja se intensificam, devemos reconhecer que o Senhor pode estar usando essas pressões como meio de limpar para revelar a verdadeira igreja. Sucumbir ao excedente governamental pode fazer com que as igrejas permaneçam fechadas indefinidamente. Como pode a verdadeira igreja de Jesus Cristo distinguir-se em um clima tão hostil? Há apenas um caminho: lealdade ousada ao Senhor Jesus Cristo.

Mesmo onde os governos parecem simpáticos à igreja, os líderes cristãos frequentemente precisam recuar contra agressivas autoridades estatais. Em Genebra de Calvino, por exemplo, os oficiais da igreja em tempos necessários afastava as tentativas do conselho da cidade de governar aspectos do culto, política da igreja e disciplina da igreja. A Igreja da Inglaterra nunca foi totalmente reformada, precisamente porque A Coroa Britânica e o Parlamento sempre se envolveram nos assuntos da igreja. Em 1662, os Puritanos foram expulsos de seus púlpitos porque se recusaram a cumprir os mandatos do governo com relação ao uso do Livro de Oração Comum, o uso de vestimentas e outros aspectos cerimoniais da adoração regulamentada pelo Estado. O monarca britânico ainda afirma ser o governador supremo e chefe titular da Igreja Anglicana.

Mesmo onde os governos parecem simpáticos à igreja, os líderes cristãos frequentemente precisam recuar contra agressivas autoridades estatais. Em Genebra de Calvino, por exemplo, os oficiais da igreja em tempos necessários afastava as tentativas do conselho da cidade de governar aspectos do culto, política da igreja e disciplina da igreja. A Igreja da Inglaterra nunca foi totalmente reformada, precisamente porque A Coroa Britânica e o Parlamento sempre se envolveram nos assuntos da igreja. Em 1662, os Puritanos foram expulsos de seus púlpitos porque se recusaram a cumprir os mandatos do governo com relação ao uso do Livro de Oração Comum, o uso de vestimentas e outros aspectos cerimoniais da adoração regulamentada pelo Estado. O monarca britânico ainda afirma ser o governador supremo e chefe titular da Igreja Anglicana.

Aos funcionários do governo, dizemos respeitosamente como os apóstolos: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus” (Atos 4:19). E a nossa não hesitante resposta para esta pergunta é a mesma dos apóstolos: “Antes, importa obedecer a Deus do que os homens” (Atos 5:29).

Nossa oração é que toda congregação fiel fique conosco em obediência a nosso Senhor como cristãos tem feito através dos séculos.
 

 
 

Abaixo, queremos responder à pergunta principal que recebemos em resposta à declaração: Por que você se submeteu à ordem original do governo, citando Romanos 13 e 1 Pedro 2?

Os pastores da Grace Community Church consideraram e independentemente consentiram com a ordem original do governo, não porque acreditamos que o estado tem o direito de dizer às igrejas quando, se ou como adorar. Para deixar claro, acreditamos que as ordens originais eram uma intrusão ilegítima de autoridade estatal em questões eclesiásticas como acreditamos que é agora. No entanto, talvez, porque não podíamos saber a verdadeira gravidade do vírus e porque nos preocupamos com as pessoas como nosso Senhor fez, acreditamos que proteger a saúde pública contra infecções sérias é uma função legítima dos cristãos bem como o governo civil. Portanto, seguimos voluntariamente as recomendações iniciais de nossos governantes. É claro que é legítimo que os cristãos se abstenham da assembleia dos santos temporariamente diante de doenças ou ameaça iminente à saúde pública.

Os pastores da Grace Community Church consideraram e independentemente consentiram com a ordem original do governo, não porque acreditamos que o estado tem o direito de dizer às igrejas quando, se ou como adorar. Para deixar claro, acreditamos que as ordens originais eram uma intrusão ilegítima de autoridade estatal em questões eclesiásticas como acreditamos que é agora. No entanto, talvez, porque não podíamos saber a verdadeira gravidade do vírus e porque nos preocupamos com as pessoas como nosso Senhor fez, acreditamos que proteger a saúde pública contra infecções sérias é uma função legítima dos cristãos bem como o governo civil. Portanto, seguimos voluntariamente as recomendações iniciais de nossos governantes. É claro que é legítimo que os cristãos se abstenham da assembleia dos santos temporariamente diante de doenças ou ameaça iminente à saúde pública.

Mas não cedemos nossa autoridade espiritual ao governo secular. Dissemos desde o início que nossa conformidade voluntária estava sujeita a alterações se as restrições persistissem além da meta estabelecida, ou políticos indevidamente se intrometessem nos assuntos da igreja, ou se as autoridades de saúde adicionassem restrições que tentaria minar a missão da igreja. Tomamos todas as decisões com nosso próprio fardo de responsabilidade em mente. Simplesmente aproveitamos a oportunidade inicial para apoiar as preocupações das autoridades de saúde e acomodar as mesmas preocupações entre os membros da igreja, por um desejo de agir em abundância de cuidados e razoabilidade (Filipenses 4:5).

Mas agora estamos mais de vinte semanas em restrições não aliviadas. É evidente que aquelas projeções originais da morte estavam erradas e o vírus não é nem de longe tão perigoso quanto originalmente temido. Ainda assim, aproximadamente quarenta por cento do ano se passou com nossa igreja essencialmente incapaz de reunir de uma maneira normal. A capacidade dos pastores de pastorear seus rebanhos foi severamente reduzida. A unidade e influência da igreja foi ameaçada. Oportunidades para os crentes servirem e ministrarem um ao outro foi perdida. E o sofrimento dos cristãos que são perturbados, temerosos, angustiados, enfermos ou com necessidade urgente de companheirismo e incentivo foram ampliados além qualquer coisa que possa ser razoavelmente considerada justa ou necessária. Principais eventos públicos que foram planejados para 2021 já estão sendo cancelados, sinalizando que as autoridades estão se preparando para manter restrições em vigor no próximo ano e além. Isso força as igrejas a escolherem entre as ordens claras do nosso Senhor e dos funcionários do governo. Portanto, seguindo a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, escolhemos alegremente obedecê-lO.

 
Tradução: Eliakim Aquino
 

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Resenha – Graça Inglória

ALBUQUERQUE, Tiago. Graça Inglória. Brasília: Editora 371, 2019.

O livro “Graça inglória”, do pastor Tiago Albuquerque, apresenta uma heresia que, aparentemente, parece boba e de desnecessária preocupação, porém tem sido repetida ao longo dos séculos e de diversas maneiras: é a salvação universalista. O pastor mostra o porquê de alguns teólogos, desde o século III até hoje chegarem a tal conclusão teológica e, o mais preocupante, o porquê de ela ter ganhado tanta força na contemporaneidade. Por fim, ele vai mostrar a sua insustentabilidade diante de uma análise bíblica não-superficial das Escrituras.

A obra é dividida em quatro partes, sendo o seu conteúdo organizado em duas grandes partes. Ela inicia por uma breve introdução e em seguida, a primeira grande parte vai tratar de várias vertentes do universalismo antigo e moderno, a segunda grande parte, onde o autor apresenta uma análise da Soteriologia nos escritos joaninos, culminando numa conclusão na qual é apresentado a importância da existência de uma punição eterna na mensagem do evangelho.

Na primeira grande parte há três capítulos. no primeiro, Albuquerque inicia apresentando um panorama histórico do universalismo, começando por Orígenes, no século IV, concluindo com René Kivitz e Rob Bell, no século XXI. Nessa parte, ele quer mostrar que há diversas formas de universalismo.

O segundo capítulo descreve com mais detalhes como Orígenes e Gregório de Nissa chegaram à conclusão do universalismo. De maneira muito bem elaborada, Tiago mostra que Orígenes, na tentativa de responder aos pagãos que questionavam a fé cristã, como Celso, desenvolve seu universalismo em resposta à questão: “Como um Deus pleno de amor, misericordioso e bom ode enviar pessoas ao inferno?” Embebido em platonismo, a resposta de Orígenes é, grosso modo, que todas as mentes (seres humanos e celestiais) estavam em Deus. A queda gerou a criação material (tudo que existe no mundo sensível é fruto da queda), e a restauração final vai unificar tudo novamente, para que “Deus seja tudo em todos”. Já Gregório entende que o bem, que é oriundo em Deus, é eterno. Já o mal não pode ser eterno. Assim, o homem caído, que anda nos caminhos do mal, não poderá andar neste caminho eternamente, pois tal caminho é limitado, por não ser eterno. Assim, chegará um momento em que todo ser inteligente trilhará o caminho da virtude, inclusive satanás e seus demônios.

O terceiro capítulo da primeira grande divisão do livro mostra a base do universalismo pós-moderno, contemporâneo nosso, e, sendo a teologia influenciada por esse pensamento, o universalismo de nossa época repousa sobre bases pós-modernas: (1) pluralismo – não existe uma única forma de fé, mas uma pluralidade, e todas elas são válidas (budismo, xintoísmo, cristianismo, islamismo e etc). (2) ênfase emocional – há um apelo ao atributo do amor de Deus. Um Deus amoroso não condenará ninguém a um estado de castigo eterno. (3) A atual conjuntura missionária – existem religiões, como o islã, que vem se expandindo de forma gigantesca, o que leva a pensar que o cristianismo não é exclusivo. Deus tem usado outras formas de fé. É preciso juntar todas num “bolo” só (ecumenismo).

Na segunda grande parte do livro, há mais três capítulos. O primeiro deles apresenta uma análise exegética da temática da incredulidade que João apresenta em seu evangelho. O autor mostra que João apresenta a incredulidade como algo ativo, e não passivo. O incrédulo é aquele que não aceita o que foi revelado pelo Verbo encarnado (1.11), pois ele quer condicionar a fé salvadora a suas próprias condições, permitindo que seus pecados não sejam tocados. João é exclusivista em ensinar que a fé salvadora é a aceitação do que Jesus reivindicou ser, o que promove uma dedicação radical da vida em devoção a Ele. Assim, a condenação é fortalecida na rejeição da Luz (3.19), no afastamento dela e no ódio contra ela.

O segundo capítulo apresenta um “ABC” da vida eterna. Albuquerque quer fazer uma crítica a ideia da tolerância cristã pós-moderna de que todos estão caminhando para o céu. Ele mostra que João, em sua primeira carta, quis apresentar um teste criterioso para identificar crentes verdadeiros de crentes falsos, com a finalidade de dar certeza aos verdadeiros crentes de que eles possuíam a vida eterna. Assim, o apóstolo indica um teste moral no qual a santidade, ou o “andar na luz” é evidência de um autêntico cristão (1.5); um teste social, onde averígua a relação entre o cristão e seus irmãos (4.20); e o teste doutrinário, que declara genuíno cristão o que reafirma as verdades consolidadas. Os falsos são os que discordam (2.18, 22; 4.3).

O terceiro capítulo da segunda grande divisão da obra, o qual também é o último do livro, apresenta uma defesa da expiação limitada no evangelho de João como sendo um ataque ao universalismo. Assim, o autor defende que a expiação é algo extremamente necessário porque o perdão divino não pode ser concedido ao pecador sem base que a justiça divina tenha sido satisfeita; essa expiação é eletiva, na obra joanina: Deus decidiu salvar alguns por meio da morte de Cristo, os quais, em João 10, são chamados de “um rebanho”, as ovelha pelas quais o pastor deu a sua vida.

Da minha ótica, a obra é de extrema importância para nossos dias, não só por ser um ataque a uma heresia recorrente, mas também porque temos em nós uma grave deficiência de compreensão de como o mundo pensa. As sutilezas do universalismo, regadas por uma cativante retórica de seus disseminadores atuais, podem ser cativantes a uma mente embebida dos conceitos, de forma inconsciente, da pós-modernidade.

A exegese feita nos textos de João é fenomenal. O autor argumenta com base na compreensão da ideia do texto, e isso é importante para os que querem defender apoiados na voz das Escrituras. Por meio dessa característica ele afronta, indiretamente, a forma vazia e ideologizada que os teólogos pós-modernos fazem do uso da linguagem teológica.

Enfim, o livro é simplesmente ótimo. Além de apresentar uma leitura cativante (apesar de não ser narrativa), um desenvolvimento lógico entre seus capítulos e um conteúdo muitíssimo válido e enriquecedor para nossos dias, nos quais o conhecimento doutrinário tem sido desincentivado.

Pr. Francisco C. de O. F. Neto

 

MUNDO MODERNO OU PERVERTIDO?

“Porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato”

 

O verso 21 faz parte do parágrafo que inicia no verso 18. Lá o apóstolo Paulo apresenta um fato chocante, porém verdadeiro. Um fato que vai de encontro a muitas concepções que as pessoas tem a respeito de Deus. “A ira de Deus se revela do céu”. Deus está irado! E por que Deus está irado? Nos versos 19, 20 e 21 Paulo insisti que a humanidade tem o conhecimento da existência de Deus, mas preferem rejeitá-lO. A humanidade não pode alegar ignorância a respeito da existência de Deus. O apóstolo chega a afirmar no v. 20 que os homens são indesculpáveis.

No v. 21, Paulo reafirma que o mundo tem conhecimento de Deus, e, por isso, a situação da humanidade se torna miserável, pois, mesmo tendo o conhecimento de Deus, os homens preferiram não O glorificar, nem lhE deram graças. Em outras palavras, a humanidade sabe que Deus existe, sabe que Ele é digno de nosso louvor e gratidão. Porém, preferiram dar as costas para o Criador e Sustentador de todas as coisas. Rejeitaram, deliberadamente, o Senhor!

Como bem sabemos, rejeitar o Senhor sempre resultará em más consequências. No mesmo versículo, já conseguimos ver as consequências da rejeição. Ao invés de glorificar e dar graças a Deus, os homens se tornaram nulos em seus próprios raciocínios. O primeiro efeito da rejeição a Deus ocorre na mente. Os homens excluem Deus de suas vidas e começam a raciocinar sua própria existência, sem levar Deus em consideração, sem ter Deus como referência.

Em 1715, aproximadamente, surgiu um movimento na Europa, chamado Iluminismo, que defendia que a razão humana, tem as respostas para todos os problemas da humanidade. O Iluminismo, tira Deus de cena e coloca o homem como o centro de todas as coisas. Ele defendia que o progresso humano somente ocorreria com o abandono da fé. Assim, passaram a considerar a Bíblia como não sendo a fonte da verdade, mas apenas um livro de contos. Somente a razão humana é suficiente para encontrar todas as respostas que o indivíduo procura, pois, todas as respostas está dentro de você, diziam eles.

1º Problema que passaram a enfrentar: Se Deus não existe, como foi que tudo que veio a existir? Qual a origem do universo e da natureza? Quem eu sou? o que estou fazendo aqui? De onde vim? Para onde vou? Qual o sentido da existência?
O Evolucionismo, filho do Iluminismo, respondeu: “O universo e tudo o que nele há, veio a existência por conta própria, ele se auto-gerou a partir de uma grande explosão. E todas as espécies de vida que conhecemos hoje, se deu por um processo evolutivo de bilhões e bilhões de anos. Portanto, a nossa existência não tem um propósito inato, estamos aqui por um processo do acaso, não devemos nos preocupar com o transcendente, devemos sim, nos preocupar em preservar a ‘mãe natureza’ para as próximas gerações.”

E todos passaram a aplaudir… inclusive os cristãos.

2º Problema: Se Deus não existe, quem é o nosso sustentador? Aquele que há de suprir todas as nossas necessidades?
O Marxismo, filho do Iluminismo, respondeu: “Nosso sustentador será o Estado! Somente Ele há de suprir as necessidades de cada indivíduo, e, portanto, a sociedade dependerá do Estado para as suas necessidades básicas. Cada indivíduo tem a obrigação de dar os seus proventos para o Estado e este, de forma igualitária, sustentará cada um, de maneira que ninguém tenha uma porção maior do que o outro, a não ser o próprio Estado.”

E todos passaram a aplaudir… inclusive os cristãos.

3º Problema: Se Deus não existe, então, qual o referencial do certo e errado?
O Relativismo, filho do Iluminismo, respondeu: “O certo e errado depende de cada um. Não existe uma verdade absoluta, tudo depende do ponto de vista de cada individuo, e, este ponto de vista deve ser respeitado por todos, pois, o que pode ser considerado certo para você, pode ser considerado errado para outra pessoa e vice-versa. Ninguém tem o direito de recriminar ninguém, devemos respeitar os diversos pontos de vistas, pois, vivemos em uma sociedade pluralista, e portanto, devemos demonstrar empatia com todos.
A homossexualidade, por exemplo, também é uma expressão de amor, por isso, deve ser respeitada.
O adultério não deve ser visto com espanto, aliás, a palavra adultério é muito forte, é melhor considerar como um caso de amor, uma aventura de momento.
O ladrão não deve ser reprimido, ele é vítima de uma sociedade opressora.
O aborto tem que ser praticada, pois dá a mulher o direito de não gerar um feto indesejável.
A pedofilia deve ser vista como doença e não como crime.

Cada ponto de vista é verdadeiro dentro da visão de mundo da qual está inserida. Portanto, não deve ser reprimida, nem descriminada. Somente o cristianismo, pois defende uma visão de mundo ultrapassada e retrógrada que não evolui com o mundo.”

E todos passaram a aplaudir… inclusive os cristãos.

Assim, caminha a sociedade atual a passos largos rumo ao abismo de perversão cada vez mais profundo. O que eles, hoje, chamam de modernidade e evolução, Deus sempre chamou de depravação e degeneração. A nossa geração come frutos podres de pessoas que resolveram raciocinar a existência humana excluindo o verdadeiro referencial, Deus. Hoje, nos encontramos na situação que nos encontramos, tendo a plena certeza de que as coisas irão piorar. Porém, para aqueles que já decidiram confiar em Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor, tem a plena convicção que Ele voltará para nos levar, antes da revelação do homem das trevas.

Resenha – A Chave Dourada

MACDONALD, George. A Chave Dourada. Trad. Letícia Campopiano. Içara/SC: Dracaena. 2012. 50 p.

George MacDonald nasceu em 10 de Dezembro de 1824 em Huntly, Escócia. Faleceu em 18 de Setembro de 1905 em Ashtead, Inglaterra. MacDonald foi escritor, poeta e pastor na Trinity Congregational Church, Inglaterra. Embora muito esquecido pelos leitores atuais, suas obras, especialmente seus romances de fantasias e contos de fadas, foram uma inspiração para muitos escritores notáveis, como G. K. Chesterton, J. R. R. Tolkien e Mark Twain. Ele foi amigo e mentor de Lewis Carroll e chegou a incentivá-lo a publicar Alice no País das Maravilhas. Outro autor que foi grandemente inspirado por ele foi C. S. Lewis, que por diversas vezes declarou publicamente ter grande inspiração por seu mestre para escrever livros como “As Crônicas de Nárnia”. Enfim, George MacDonald publicou dezenas de contos, que o tornaram conhecido e amado por crianças e adultos. Ele mesmo chegou a dizer certa vez: “Eu não escrevo livros infantis, mas escrevo para todas as crianças, sejam ela de 5, 50 ou 75 anos.”

A Chave Dourada é um dos trabalhos mais importantes do escritor George MacDonald. O livro trata de um conto de fadas, e quando se fala em conto de fadas, para certos grupos de leitores pode haver uma certa rejeição, mas nos de MacDonald primam ensinamentos cristãos, nesse livreto de 50 páginas apenas podemos conhecer o estilo literário do autor.

No presente livro é apresentado a aventura de dois adolescentes Trama e Musgoso que empreendem uma busca especial, achar a fechadura feita especificamente para a chave dourada que Musgoso encontra. No mundo onde os dois personagens estão inseridos é diferente do mundo que conhecemos; por exemplo, vários anos são necessários para completar eventos que levam apenas minutos. Durante a busca os dois adolescentes se separam (creio que o leitor saberá identificar a causa da separação), Trama encontra vários guias que a dirigem através de uma sucessão de passagens rochosas, incluindo uma que leva às entranhas da terra. No fim, como todo bom conto de fadas, eles são bem sucedidos em sua busca.

Neste pequeno livro, MacDonald concebe uma aventura que nos proporciona muitos ensinamentos cristãos, temos uma visão da vida familiar entre os dois personagens. Quando Trama é orientada pela Avó a seguir Musgoso, a princípio há uma resistência, mas logo não há remorso em acompanhá-lo. E como eles vão ficando mais belos ao longo dos anos.

Temos o banho na banheira que nos remete ao batismo. A morte como um rito de passagem para uma nova vida, portanto, não é precisa temê-la. A chave dourada que abre a porta para o Paraíso. É possível que todos tenham a chave, mas ainda não encontraram a fechadura. O caminho a ser percorrido por vezes se apresenta encantador e com muitas sombras no percurso, é bom já captarmos a ideia de que a vida ao nosso redor são sombras de algo superior, portanto devemos continuar determinados em nossa caminhada.

Leitura muito fácil e estimulante, li em duas horas, aproximadamente. Com certeza, recomendo a leitura para todos, não importa a idade. Até mesmo para pais que desejam ler para os seus filhos, seria uma leitura bastante prazerosa. É um conto de fadas, então pode-se achar múltiplos significados na história. É uma pena que os livros de George MacDonald raramente sejam traduzidos para o português. Ele, sem dúvidas, foi um grande escritor.

 

O Rei Leão

“O Rei Leão” talvez seja um dos melhores filmes que a Disney já produziu na sua história. A primeira vez que assisti a trilogia, eu ainda era criança, e posso confessar que fiquei emocionado em algumas cenas: sem dúvida, a cena que mais marcou foi a morte de Mufasa, o pai de Simba.

Diante do lançamento do filme “o Rei Leão Live Action”, lançado no mês e ano correntes (18 de Julho de 2019), resolvi assistir novamente a trilogia para depois assistir o lançamento. Como disse antes, a última vez que assisti, creio que tenha sido há mais de 20 anos. Porém, desta vez, com conhecimento bíblico mais sólido do que 20 anos atrás, pude destacar cenas que, a princípio, são recebidas como inocentes e inofensivas, mas não são.

O objetivo deste artigo não é criticar o filme, longe disso, sou fã do mesmo. Mas, desejo chamar sua atenção para alguns pontos de perigo que o filme trás e assim, ficarmos em alerta. Destaco três pontos:

 
1. Espiritismo
 

Quando Mufasa é assassinado pelo próprio irmão, Scar, Simba se sente culpado e ainda por cima seu tio joga toda a culpa nele e o aconselha a fugir para nunca mais voltar (claro, Scar tinha a intenção de assumir o trono). Simba foge carregando sentimento de culpa e vergonha. Depois de anos, sua amiga de infância, Nala, reencontra-o e implora para que ele volte pois Scar está sendo um rei terrível. Simba rejeita veementemente, mas sem dizer o motivo, até que Rafiki, (o macaco macumbeiro, como chamo), encontra Simba e o conduz para uma conversa com o espírito de Mufasa.
Neste ponto, encontramos a presença de espiritismo no filme. Alguém pode dizer: pra quê esse exagero? Isso é só um filme infantil! Mas, esse é exatamente o perigo. Sei que pode parecer inocente e inofensivo, mas não é, e quero desenvolver duas razões:
(1) A cena nos induz a pensarmos que os nossos entes queridos que já partiram estão olhando por nós e eles mesmo podem surgir para nos orientar e socorrer em tempos de angústias, dúvidas e tristezas, o que é totalmente contrário à verdade das Escrituras: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Timóteo 2:5).
(2) A cena nos convida a olharmos para o contato com os mortos com um olhar mais aceitável e amigável, pois a cena é emotiva e encorajadora. Pense um pouco, Simba está falando com seu pai novamente depois de anos, especialmente em um momento crítico de sua vida. Isso, com certeza, trás a sensação do desfrutar da presença de um indivíduo cuja ausência trás dor e pesar. Assim, nos leva a uma sensação de encorajamento e bem estar. Porém, é contrário à verdade da Palavra de Deus. “Quando vos disserem: ‘Procurem um médium ou alguém que consulte os espíritos e murmure encantamentos, pois todos recorrem a seus deuses e aos mortos em favor dos vivos’, respondam: ‘À lei e aos mandamentos!’ Se eles não falarem conforme esta palavra, vós jamais verão a luz! (Isaías 8:19-20).
A Palavra de Deus nos ensina que o contato com os mortos é impossível pois, após a morte, os mortos não têm contato com as pessoas da terra e vice-versa. Assim, o contato com os mortos é fruto do pai da mentira, que aproveita a dor e a falta de esperança das pessoas para as conduzir ao erro “…Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44).
Gostaria que notasse que não é algo inocente, é perigoso. Pois uma cena emotiva pode nos fazer olhar para o espiritismo como algo nada ofensivo. Na parábola do Rico e Lázaro, Jesus ensinou a impossibilidade dos mortos se comunicarem com os vivos quando não permitiu a um homem morto voltar aos seus irmãos vivos, nem mesmo para alertá-los sobre o inferno. Os vivos devem ouvir a Palavra de Deus, representada por Moisés e os Profetas.

 
2. Hakuna Matata
 

Após a morte do pai, Simba foge e encontra-se com dois personagens: Timão e Pumba, os quais se tornam bons amigos. Os dois ensinam uma filosofia de vida para Simba, conhecida como “Hakuna Matata” (Sem problemas) – “Os seus problemas, você deve esquecer, isso é viver, é aprender, hakuna matata”.
Mas o que há de perigoso nisso? Se nossa filosofia de vida não for baseada em filmes, séries e moda, então, tudo bem. Contudo, a Bíblia nunca nos manda esquecer os problemas, pelo contrário, ela nos exorta a encará-los e lançá-los sobre Jesus, como também todos os nossos cuidados, aflições, tristezas e ansiedades.
É impossível viver a vida esquecendo dos problemas. Esquecer dos problemas é viver irresponsavelmente. Nossas ideias têm consequências (ação e reação). Uma escolha errada conduz a uma consequência amarga. Mas, se minha filosofia for hakuna matata viverei irresponsavelmente sem dar a mínima para as consequências. “Errando enquanto o tempo me deixar passar” (Kid Abelha).
Infelizmente, convivemos com uma geração de homens-meninos. Homens na idade, mas meninos quanto às responsabilidades. É triste constatar que hoje encontramos indivíduos cada vez menos responsáveis. Não é exagero, mas observe quantos já entraram nas drogas e alcoolismo com o desejo de fugir da realidade. É impossível fugir da realidade. Após o efeito da droga ou do álcool (que também é uma droga), a realidade estará lá, porém com mais um agravante.
Deus nos exorta a não fugirmos ou esquecermos dos problemas, mas a encará-los buscando a solução, com uma vantagem, podemos colocar sobre Jesus Cristo aquilo que nos aflige. “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (I Pedro 5:7). Os incrédulos, não tem essa esperança e por isso se apegam a algo vazio que os levará para um buraco cada vez mais profundo.
“Hakuna Matata é lindo dizer”, mas não é verdadeiro, Deus nos ensina através do apóstolo Paulo que devemos ocupar nossa mente com tudo o que é verdadeiro.

 
3. Prisão do Casamento
 

Na cena onde Simba reencontra sua amiga de infância, Nala, surge um clima entre os dois e envolvem-se em uma música romântica.
Neste ponto, o que quero destacar é Timão e Pumba, os dois ficam insatisfeitos com o romance de Simba e Nala e sabem que ficaram sozinhos novamente.
No final da música a fala dos dois dá a impressão de que o casamento é algo negativo, onde se perde a liberdade. Na versão original, em inglês, a fala deles é: “His carefree days with us are history, in short our pal is doomed”, algo do tipo: “seus dias despreocupados conosco são história, resumindo, nosso amigo está condenado” (doomed – sentenciado, condenado). Na dublagem para o português fica: “sua liberdade está quase no fim, domado está o leão”.
Assim, em ambas as versões, a ideia passada é que o casamento tira a liberdade, como uma espécie de prisão. Porém, a Palavra de Deus nos ensina que é no casamento onde se encontra a liberdade. Liberdade em vários aspectos: no companheirismo, fidelidade, confiança e intimidade. A não ser que você tenha a convicção do dom de celibato, nesse caso, o casamento seria uma prisão.
Apesar do mundo ensinar que o casamento tira a liberdade, é na fase de solteiro onde o indivíduo não tem liberdade. Penso que a concepção do mundo a respeito de liberdade seria “fazer tudo o que der na telha” ou “se permitir”, mas isso é prisão e não liberdade. Por exemplo, o pardal, por mais livre que seja, nunca passa por sua cabeça o desejo de nadar no oceano. Da mesma forma o peixe, com a liberdade de todo o oceano, nunca passa pela sua cabeça o desejo de voar. Para os dois, a execução de qualquer um desses desejos significa morte.
Para o mundo o casamento tira a possibilidade das várias opções de relacionamento físico com quem desejar. Porém, o relacionamento físico com quem se desejar, fora do casamento não traz satisfação, muito pelo contrário, traz frustração, vazio, solidão, tristeza, desprestigio e doença. O que para o mundo é chamado de liberdade, para Deus se chama morte.
É no casamento que encontramos liberdade. No primeiro casamento Deus disse: “Por isso, deixa o homem pai e sua mãe e se une a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne“. (Gênesis 2:24).
 
Enfim, esses são os pontos que desejei desenvolver, não para desprestigiar o filme, mas para que possamos assisti-lo com um olhar mais atento quanto ao mundanismo que traz e apegando-nos cada vez mais as verdades das Escrituras.

Resenha – Depressão e Transtorno Bipolar

HODGES JR, Charles D. Depressão e Transtorno Bipolar: Ajuda e esperança para o enfrentamento eficaz. Trad. Samuel Fernandes do Nascimento Jr. / Lohana Pontes Machada. Eusébio/CE: Peregrino. 2015. 192 p.

Charles D. Hodges Jr, médico de família que atua em Indianápolis, Indiana, EUA. Graduado pela Indiana University School of Medicine, Liberty University e Liberty Baptist Theological Seminary em: medicina, aconselhamento e religião, também é doutor em medicina. É certificado em medicina da família, Geriatria e é terapeuta familiar licenciado. Dr. Hodges, ensina e aconselha no Ministério de Aconselhamento Bíblico do Faith Seminary (EUA) e ensina matérias médicas de aconselhamento bíblico pelos EUA e pelo mundo. Hodges é casado com Helen há mais de 40 anos, tem 4 filhos e 12 netos.

Depressão e Transtorno Bipolar, obra que examina se estamos em uma epidemia, ou se temos simplesmente um mal diagnóstico de tristeza comum como sendo depressão. O interesse do autor ao escrever a presente obra, era tratar de transtorno bipolar na intenção de explicar o explosivo crescimento do número de pessoas com este diagnóstico. A pesquisa atual na comunidade médica parece indicar que os critérios que usamos para diagnosticar a depressão resultaram em um crescente e incorreto rótulo de tristeza comum como depressão. Embora o tratamento médico seja a maneira comumente mais aceita de lidar com a dor e a tristeza, sua promessa de cura não foi cumprida. Em Depressão e Transtorno Bipolar: ajuda e esperança para o enfrentamento eficaz, o Dr. Hodges procura oferecer uma explicação para ajudar o leitor a ver a importância da tristeza e a esperança que Deus nos dá em Sua Palavra.

O livro é composto por 15 capítulos e dois apêndices. Os capítulos 1-3 abordam a leitura que a nossa sociedade faz da depressão e examinam as dificuldades com a forma dos diagnósticos feitos em nossos dias. Aparentemente, todos os envolvidos no tratamento da depressão concordam no que diz respeito à suas causas e cura, mas a pesquisa do Dr. Hodges revela muito desacordo neste campo.

Nos capítulos 4-5 o autor examina como a tristeza tem sido confundida com depressão. Como resultado, toda tristeza decorrente de perdas acaba sendo rotulada como depressão. Esta mudança significativa também foi devidamente documentada. Se toda tristeza decorrente de perda devesse ser tratada como depressão, estaríamos falando de uma epidemia!

Nos capítulos 6-13 Dr. Hodges considerou a esperança que Deus nos oferece em Sua Palavra, quando temos que enfrentar conflitos e tristeza. Angústia, ira, preocupações, são problemas para os quais a Bíblia oferece respostas. Nesta parte do livro, o autor usa casos individuais para considerar tais problemas.

Nos capítulos 14-15 o foco passa a ser o transtorno bipolar e as formas de ajudar as pessoas com este diagnóstico. Neste ponto, o autor argumenta que antidepressivos usados no tratamento para pessoas com tristeza comum rotuladas com depressão podem gerar comportamentos que apontam para um diagnóstico de transtorno bipolar. É possível que os tratamentos para depressão com medicamentos possam ser a causa de muitos sintomas que apontam para o transtorno bipolar. Em vez de tratar uma nova doença, talvez esteja tratando os efeitos colaterais do medicamento da doença anterior.

A leitura do livro em destaque foi bastante edificante e esclarecedor, apesar de muitas informações médicas, o autor escreve de maneira simples e usa diversos casos individuais que acaba tornando a leitura muito prática e de fácil compreensão. Sem sombra de dúvida esse é um livro que deve ter em sua estante, por duas razões: (1) Explosão de diagnósticos de depressão; (2) Conhecimento do assunto para um possível aconselhamento bíblico.

Existe um pecado que preciso confessar. Já havia visto esse livro em alguma livraria online, mas de primeira descartei a possibilidade de comprá-lo, apesar de ter interesse no assunto de depressão, recusei o livro por causa da capa. Sim, pequei em julgar o livro pela capa. Mas, lendo o livro vi o quanto ele é bom. Vale muito a pena lê-lo. Então, se você alguma vez cometeu o mesmo pecado que eu, confesse-o e deixe e leia o livro.

 

“A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma.
Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração.

(Salmo 19:7-8)

 

Resenha – As Controvérsias de Jesus

STOTT, John. As Controvérsias de Jesus. Trad. Valéria Lamim Delgado Fernandes. Viçosa/MG: Ultimato. 2015. 199 p.

John Robert Walmsley Stott, mais conhecido como John Stott. Nasceu na cidade de Londres no dia 27 de Abril de 1921 e faleceu em Julho de 2011. Stott foi pastor e teólogo anglicano, conhecido como um dos grandes nomes mundiais. Serviu como pastor na Igreja All Souls em Londres desde 1950. Estudou na Trinity College Cambrigde, onde se formou em primeiro lugar da classe tanto em francês como em teologia, e foi doutor honorário por várias universidades, na Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Uma de suas maiores contribuições internacionais são seus livros. Stott começou sua carreira de escritor em 1954, publicando mais de 40 livros e centenas de artigos, além de outras contribuições à literatura cristã. Sua obra mais importante, Cristianismo Básico, vendeu mais de 2 milhões de cópias e já foi traduzida para mais de 60 línguas. Billy Grahanm o chamou de “o mais respeitável clérigo no mundo hoje”.

No livro As Controvérsias de Jesus, John Stott não tem a intenção de mostrar Jesus como uma figura controversa, mas que Ele participava de controvérsias. Grande parte dos discursos públicos de Cristo assumiu a forma de debates com os líderes religiosos da época. O objetivo de Stott no presente livro é afirmar que o cristianismo evangélico é o cristianismo real, autêntico, verdadeiro e original, o autor mostra isso segundo o ensino do próprio Jesus Cristo.

Na primeira seção do livro o autor separa dois capítulos introdutórios, chamados de “Fundamentos”. No primeiro capítulo, o autor defende a busca de uma definição teológica. O mundo não cristão está impregnado do discurso pragmático e, consequentemente, está cansado do modo pouco prático de teologizar usado pela igreja. O mesmo discurso prevalece em algumas áreas da igreja atualmente. Muitos abandonaram a esperança de certeza e de acordos doutrinários. Stott desenterra as raízes dessa hostilidade à definição teológica e argumenta que não devemos abandonar, mas insistir na tarefa.

No segundo capítulo da seção “Fundamentos”, Stott argumenta em favor do cristianismo evangélico. Ele enfatizou a necessidade de um definição teológica e agora insiste que ela deve ser feita de modo evangélico. Seu interesse é a posição doutrinária adotada pelos cristãos evangélicos. As doutrinas que adotamos é conhecida como fé evangélica. Stott acreditava que essa fé é a verdadeira fé de Cristo, como ensinou aos seus apóstolos e como a defendeu dos adversários.

Depois da seção introdutória, o autor desenvolve oito capítulos com controvérsias que Jesus participou com os líderes religiosos da época e um pós-escrito enfatizando que Jesus é nosso Mestre e Senhor e, portanto, o que Ele ensinou e defendeu continua sendo relevante para nossos dias. Listamos os oito capítulos.

1. Religião: natural ou sobrenatural? – A primeira controvérsia que o autor aborda é uma pergunta dos saduceus sobre a ressurreição. Stott enfatiza que essa questão é fundamental para hoje, pois não questiona apenas se a religião cristã é natural ou sobrenatural, mas que tipo de Deus é o do cristão.

2. Autoridade: tradição ou Escritura? – Neste capítulo o autor destaca a controvérsia de Jesus com os fariseus, onde eles censuram os discípulos de Jesus por estarem comendo com a mão por lavar, ou seja, cerimonialmente impuros. Jesus critica os fariseus porque as tradições deles anulavam a Palavra. No capítulo anterior Jesus criticou os saduceus por fazer subtrações das Escrituras, agora Jesus critica os fariseus por fazer acréscimos. Praticas igualmente perigosas.

3. A Bíblia: meio ou fim? – Neste capítulo o autor desenvolve a principal função das Escrituras, pela qual Deus deu ao seu povo. Stott desenvolve mais uma controvérsia de Jesus com os fariseus. “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito, contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida.” (João 5:39-40 NVI). É certo que Jesus em vários momentos exaltou as Escrituras, entretanto, Ele também nos alertou para a possibilidade de exaltá-la de forma exagerada a ponto de tornarmos “bibliólatras”, agindo como se as Escrituras, e não Cristo fosse o objeto de nossa devoção. O propósito divino das Escrituras é apontar e levar as pessoas a Cristo.

4. Salvação: mérito ou misericórdia? – Cristo trata deste tema em outra de suas controvérsias com os fariseus. Anteriormente Cristo os acusou de anularem a Palavra de Deus, através das tradições que eles mesmos transmitem. Aqui, Jesus os criticam por serem eficientes em anular a obra divina de redenção, tinham uma confiança exagerada em seus próprios méritos. A crítica de Jesus é expressa explicitamente na parábola do fariseu e do publicano.

5. Moralidade: exterior ou interior? – O que nos deixa limpos ou impuros aos olhos de Deus? Pergunta muito importante e a resposta dada pelos fariseus é muito diferente daquelas dadas por Jesus Cristo. Essa é uma área de controvérsia ainda hoje, assim o autor procura descobrir se a discussão de Cristo com os fariseus, onde eles censuram os discípulos de Jesus por estarem comendo com a mão por lavar, lança alguma luz sobre o debate contemporâneo. Os fariseus eram obcecados com o ritual de purificação – mãos limpas, alimentos limpos, vasilhas limpas. Jesus porém enfatiza que a moralidade é essencialmente interior.

6. Adoração: de lábios ou de coração? – A Bíblia nos diz que que há adorações repugnantes a Deus que Ele as odeia e as rejeita. Nesta controvérsia Jesus critica os fariseus não pela prática da adoração em si, mas contra sua qualidade exterior, seu formalismo e hipocrisia: “Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo: este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:7-8). Neste capítulo o autor desenvolve as características de uma verdadeira adoração.

7. Responsabilidade: afastar-se ou envolver-se? – Neste capítulo o autor desenvolve qual seria a verdadeira responsabilidade da igreja para com o mundo. Que atitude os seguidores de Jesus deveriam ter para com aqueles que não o seguem? Desprezá-los, evitá-los, condená-los? Mais uma controvérsia de Jesus com os fariseus onde eles criticam Jesus por se juntar com pecadores. “Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: este recebe pecadores e come com eles” (Lucas 15:1-2).

8. Ambição: a nossa glória ou a de Deus? – Os motivos ocultos desempenham um grande papel em nosso comportamento. Neste capítulo, John Stott desenvolve mais uma controvérsia, onde Jesus expõe o desejo dos fariseus de receber a glória (aprovação) dos homens e desprezar a aprovação de Deus. Há um grande perigo de cairmos nesse mesmo pecado. O desejo humano pela glória é uma forma séria de pecado, pois nega a Deus sua glória como Criador e Juiz.

As Controvérsias de Jesus. Um livro simples, porém profundo e pertinente. Vivemos em período de pluralismo filosófico no qual sustentar nossas convicções em relação à verdade evangélica está cada vez mais difícil. Dentro do próprio ambiente cristão, a perda da centralidade de Cristo e do conhecimento bíblico é típico dos grandes desafios que confrontam a saúde e o crescimento da igreja.

Ler este livro tem sido animador, pois a imagem popular de um Jesus manso, suave e tranquilo não funciona. Sem dúvida, Jesus foi amoroso, mas não hesitava quando era necessário expor o erro e denunciar o pecado, especialmente a hipocrisia. É claro, isso não é uma justificativa para sairmos por aí debatendo, condenando e apontando os pecados das pessoas, mas, sim devemos nos manter firmes naquilo que Jesus Cristo ensinou e defendeu. O ambiente que vivemos hoje é hostil e paradoxal, financiam milhões na busca pela verdade, mas perseguem os que a proclamam. Diante disso devemos nos manter firmes e defender os ensinamentos de Jesus Cristo.

Portanto, indico a leitura deste livro para todos os cristãos e não cristãos. Leitura bastante edificante! Vale muito a pena lê-lo.

 

Resenha – Por que sou cristão

STOTT, John. Por que sou cristão. Trad. Jorge Camargo. Viçosa/MG: Ultimato, 2004. p 152.

John Robert Walmsley Stott, mais conhecido mais John Stott. Nasceu na cidade de Londres no dia 27 de Abril de 1921 e faleceu em Julho de 2011. Stott foi pastor e teólogo anglicano, conhecido como um dos grandes nomes mundiais. Serviu como pastor na Igreja All Souls em Londres desde 1950. Estudou na Trinity College Cambrigde, onde se formou em primeiro lugar da classe tanto em francês como em teologia, e foi Doutor honorário por várias universidades, na Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Uma de suas maiores contribuições internacionais são seus livros. Stott começou sua carreira de escritor em 1954, publicando mais de 40 livros e centenas de artigos, além de outras contribuições à literatura cristã. Sua obra mais importante, Cristianismo Básico, vendeu mais de 2 milhões de cópias e já foi traduzida para mais de 60 línguas. Billy Grahanm o chamou de “o mais respeitável clérigo no mundo hoje”.

No livro Por que sou cristão, John Stott não tem a intenção de rebater ponto a ponto os argumentos colocados por Bertrand Russell no seu livro, Por que não sou cristão, mas Stott considera que existe uma defesa a ser feita em favor do cristianismo que Russell nem sequer considerou. É verdadeiro que, Por que sou cristão, não é um livro volumoso para um questionador genuíno que queira pensar profundamente sobre as implicações de se tornar um cristão, porém, o autor mostra claramente que a resposta para o paradoxo existente no coração humano e a chave para a verdadeira liberdade só podem ser encontradas em Jesus Cristo!

Assim, John Stott nos dá sete razões porque é um cristão. Cada motivo é desenvolvido em um capítulo.

1. O CÃO DE CAÇA DO CÉU – O autor destaca que o primeiro motivo dele ser um cristão não foi devido a influência dos pais ou por uma decisão pessoal por Cristo. Mas, porque o próprio Jesus o perseguia incansavelmente, mesmo quando Stott fugia dEle. O autor conta que se não fosse por essa perseguição, ele estaria na lata de lixo das vidas desperdiçadas e descartadas. Para sustentar o argumento, John Stott descreve a conversão do apóstolo Paulo e mais três cristãos.

2. AS AFIRMAÇÕES DE JESUS – A segunda razão está no fato de que as afirmações de Jesus são verdadeiras. Nossa cultura pós-moderna, em reação à autoconfiança da modernidade, perdeu todo o sentido de segurança e afirma que não há verdade objetiva. No entanto, as afirmações do cristianismo são, em sua essência, as afirmações do próprio Jesus. Constantemente Ele falava de si mesmo, falava sobre o reino de Deus e dizia que veio para inaugurá-lo. Falava de Deus como Pai e atribuía a si mesmo como o Filho do Pai. Isso coloca Jesus à parte de todos os outros líderes religiosos do mundo. Eles se anulavam, apontando para a verdade que ensinavam, Jesus, ao contrário, se oferecia a seus discípulos como objeto de fé, amor e obediência. Assim, não há dúvida que Jesus acreditava ser o único. Como C. S. Lewis diz: “Um homem que fosse só homem, e dissesse as coisas que Jesus disse, não seria um grande mestre da moral: seria um lunático […] Ou este homem era, e é o Filho de Deus, ou então foi um louco, ou algo pior.”¹

3. A CRUZ DE CRISTO – Eis a razão fundamental do próprio autor, ele diz:

Eu jamais poderia crer em Deus se não fosse pela cruz. É a cruz que dá credibilidade a Deus. O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou chamando-o de “Deus sobre a cruz”. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela? (p. 67)

Neste capítulo o autor discute principais razões por que Cristo morreu: (1) para expiar os nossos pecados; (2) para revelar o caráter de Deus, e (3) para conquistar os poderes do mal. Em qualquer compreensão equilibrada da cruz, confessaremos Cristo como Salvador (expiando nossos pecados), confessaremos como Mestre (revelando o caráter de Deus) e como vitorioso (vencendo os poderes do mal).

4. O PARADOXO DA NOSSA HUMANIDADE – O cristianismo explica quem eu sou, eis uma razão bastante intrigante. O que significa ser um ser humano? Qual a essência da nossa humanidade? Somente o cristianismo consegue responder essas perguntas em um nível equilibrado, sem ir para o extremo do otimismo humanistas que creem que os seres humanos serão capazes de assumir as rédeas de sua própria história e controlar o próprio destino. Nem ir para o extremo do pessimismo existencialista que creem que embora devamos, encontrar coragem para ser, nada tem significado e no final das contas, tudo é absurdo. Porém o cristianismo de forma realista revela a glória, a vergonha e o paradoxo da humanidade.

5. A CHAVE PARA A LIBERDADE – Liberdade é uma grande palavra cristã. Jesus Cristo é retratado no Novo Testamento como o supremo libertador do mundo. Ele disse que veio libertar os oprimidos (Lc. 4:18) e mais adiante acrescentou: “Se o Filho os libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo. 8:36). Jesus Cristo é a chave da liberdade que a humanidade tanto procura.

6. A REALIZAÇÃO DE NOSSAS ASPIRAÇÕES – O autor destaca que todos os seres humanos possuem vários anseios ou aspirações, os quais só Jesus pode satisfazer. Isso não é apenas uma teoria, é uma afirmação validada por milhões de cristãos. Há uma fome no coração humano que ninguém senão Cristo pode satisfazer. A tese do autor é que o homem possui três aspirações básicas que só Jesus pode suprir: (1) A busca por transcendência; (2) A busca por significado, e (3) A busca por comunidade.

7. O MAIOR DE TODOS OS CONVITES – John Stott conclui o livro com o convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados e vos aliviarei” (Mt. 11:28). Todo mundo procura por descanso, paz e liberdade. Jesus nos diz onde podemos encontrar tudo isso. É debaixo do jugo de Cristo que encontramos descanso. É quando perdemos a nós mesmo que nos encontramos. O Filho de Deus se coloca diante de nós nos oferecendo descanso ao nos achegar a Ele. Um convite dessa natureza não deve ser rejeitado.

Por que sou cristão. Um livro simples, de leitura simples e prazerosa, porém profundo. Um livro de natureza biográfico, porém apologético. Como foi dito anteriormente, o livro não abarca grandes questões filosóficas para questionadores que queiram pensar profundamente sobre as implicações de se tornar um cristão, mas o livro contém muito sabedoria prática e argumentos plausíveis quando a credibilidade do cristianismo.

Indico a leitura deste livro para todos os cristãos e não cristãos, tanto para jovens quanto para adultos. Leia este livro com o coração e a mente aberta e deixe ser confrontado com a verdade do cristianismo, onde o próprio fundador disse: “Eu sou a verdade” (Jo. 14:6). O Senhor Jesus ainda continua chamando: “Vinde a mim”, precisamos, apenas, aceitar o seu convite.

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo vosso coração” (Jr. 29:13)

Posso dizer: vale muito a pena ler o livro!

 

Resenha – Perelandra

LEWIS, C. S. Perelandra. Trad. Waldéa Barcellos. São Paulo: Martins Fontes, 2011. p 302.

Clive Staples Lewis, ou C. S. Lewis, como é geralmente conhecido. Nasceu em Belfast, Irlanda no dia 29 de Novembro de 1898, e faleceu em Oxford, Inglaterra no dia 22 de Novembro de 1963, uma semana antes de completar 65 anos. Lewis foi professor universitário, escritor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta e apologista cristã. Durante sua carreira acadêmica, lecionou tanto na Universidade de Oxford como na Universidade de Cambridge. Ficou bastante conhecido por seus escritos de apologia cristã, ficção e fantasia. Dentre suas obras mais conhecidas podemos destacar: As Crônicas de Nárnia, Cristianismo Puro e Simples, Cartas de um diabo ao seu aprendiz, O Problema do Sofrimento, Milagres, etc. Além disso, C. S. Lewis, foi um respeitado estudioso da literatura medieval e renascentista, tendo produzido alguns dos mais renomados trabalhos acadêmicos envolvendo esses temas, destacamos: Alegoria do Amor e A Imagem Descartada. Lewis, foi ateu durante muitos anos e se converteu ao cristianismo em 1929. Essa experiência o ajudou a entender não somente a indiferença como também a indisposição de aceitar a religião; e, como autor cristão, com sua mente incrivelmente lógica e brilhante, seu estilo lúcido, fez dele um grande pensador, escritor e apologista.

Perelandra, segundo volume da trilogia cósmica de Lewis. Os livros foram escritos durante os tensos momentos que antecederam a 2a Guerra Mundial (1938-1945). Perelandra foi publicado pela primeira vez no ano de 1944. A Trilogia Cósmica, é mais voltado para o público adulto, diferente das Crônicas de Nárnia, que apesar de, também ser ficção e fantasia, pode ser apreciado tanto por crianças como adultos.

Perelandra pode ser lida independentemente, mas também é uma sequência de Além do Planeta Silencioso, onde continuamos a acompanhar as aventuras do personagem principal, o filólogo Elwin Ransom, que no volume anterior, ele havia viajado de maneira involuntária para Malacandra (planeta Marte). Porém, nessa nova aventura, o filólogo é “convocado” para uma nova viagem, onde o destino será o planeta Perelandra que para nós seria o planeta Vênus.

A narrativa de Perelandra é feita na primeira pessoa por um dos amigos do Ransom, que no caso seria o próprio C. S. Lewis que se coloca como personagem dentro da história. Esse amigo irá ajudá-lo a se preparar para viagem e que em seguida nos contará tudo o que aconteceu com o filólogo enquanto ele esteve em Perelandra. Pois quando Ransom volta, ele conta tudo ao personagem Lewis que, por sua vez nos conta com detalhes todas as experiências vividas por Ransom em Perelandra.

Em Perelandra, o personagem principal desenvolverá diversos diálogos com uma habitante do planeta, essa personagem será chamada de Dama, e ela é a única mulher naquele planeta. Na verdade, Perelandra é um planeta novo e portanto só existem dois habitante o Rei e a Rainha (Dama). A Rainha se perdeu do Rei e acabou se encontrando com Ransom, onde os dois desenvolvem alguns diálogos e através deles conseguimos extrair conceitos como: o uso da linguagem e seus significados; conceitos de antropologia, o que é o homem, o que define o homem; conceitos da criação, tentação, queda e redenção. Como eu disse a pouco, Perelandra é um planeta recém criado, um paraíso, similar ao que poderia ter sido o paraíso no planeta Terra, antes da queda, é claro. Da mesma forma, Perelandra, um mundo perfeito, também está ameaçada de corrupção (queda), pois, assim como houve um tentador/sedutor na Terra, assim será em Perelandra. As perguntas que nos instiga a leitura são: será que o que é narrado em Gênesis 3 se repetirá em Perelandra? Como será que a Dama resistirá as tentações? Deixo as respostas para você leitor. As respostas para tais perguntas deixo para você encontrar durante a leitura do livro.

Em termos de escrita, fica claro que Perelandra se trata de uma história de ficção e quando Lewis escreve ficção, ele escreve ficção e não teologia, apesar de que, mesmo em seus livros de ficção é possível nos deparar com vários elementos cristãos. Então, para o leitor cristão que está familiarizado com teologia, sem dúvida alguma, durante os diálogos desenvolvido pelos personagens, o leitor reconhecerá alusões a conceitos teológicos.

Quanto a narrativa do livro, Lewis tem o poder de nos colocar não só dentro da história, mas de nos colocar dentro do próprio planeta, nos descrevendo diversos locais e características como a fauna e flora do planeta. Perelandra é um planeta recém criado e nos é descrito um planeta perfeito, novo, e extremamente belo. Através da experiência do humano Ransom, o leitor sentirá uma sensação de deleite contemplando aquele planeta. Como se fosse um de nós que estivesse lá por algum tempo. Lewis coloca Ransom experimentando a verdadeira alegria, prazer e beleza.

Posso dizer que vale muito a pena ler o livro.

 

Resenha – Desafios da Liderança Cristã

STOTT, John. Desafios da Liderança Cristã. Trad. Valéria Lamim Delgado Fernandes. Viçosa/MG: Ultimato, 2016. p 81.

John Robert Walmsley Stott, mais conhecido mais John Stott. Nasceu na cidade de Londres no dia 27 de Abril de 1921 e faleceu em Julho de 2011. Stott foi pastor e teólogo anglicano, conhecido como um dos grandes nomes mundiais. Serviu como Pastor na Igreja All Souls em Londres desde 1950. Estudou na Trinity College Cambrigde, onde se formou em primeiro lugar da classe tanto em francês como em teologia, e foi Doutor honorário por varias universidades, na Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Uma de suas maiores contribuições internacionais são seus livros. Stott começou sua carreira de escritor em 1954, publicando mais de 40 livros e centenas de artigos, além de outras contribuições à literatura cristã. Sua obra mais importante, Cristianismo Básico, vendeu mais de 2 milhões de cópias e já foi traduzida para mais de 60 línguas. Billy Grahanm o chamou de “o mais respeitável clérigo no mundo hoje”.

O livro Desafios da Liderança Cristã é o resultado de quatro palestras dadas por John Stott no ano de 1985 em Quito, Equador, por ocasião de uma conferência para a equipe da International Fellowship of Evangelical Students na América Latina. Nesta obra Stott compartilha 4 tópicos que considera importante a um jovem líder sob o título: “Problemas da liderança cristã”.

1. O Problema do Desânimo – como perseverar sob pressão.

Neste capítulo Stott reconhece que as pressões sobre os líderes cristãos são intensas e por vezes implacáveis e que sem dúvida tais pressões podem os levar ao desânimo. O desânimo é o maior risco ocupacional de crente, pois pode levar à perda da visão e do entusiasmo. Portanto, a pergunta que surge é: Como perseverar sob pressão? Para responder essa pergunta Stott usa textos de II Coríntios 3 e 4. O capítulo 3 revela a glória do ministério cristão, mas o capítulo 4 mostra os problemas do ministério. Por causa da glória do ministério e a despeito dos problemas, Paulo diz duas vezes no capítulo 4:1;16: ouk enkakoumen “nós nos recusamos a ficar desanimados” pois o ministério é pelo poder de Deus. Deus, intencionalmente, muitas vezes nos mantém na fraqueza para que Seu poder possa repousar em nós.

2. O Problema da Autodisciplina – como manter o frescor espiritual.

O segundo problema muito comum nos líderes cristãos não é tanto o desânimo, mas a estagnação. Em meio a todas as pressões que sofremos, como podemos manter o frescor espiritual? Neste capítulo o autor afirma categoricamente que a raiz da estagnação muitas vezes seja a falta de disciplina. Neste ponto, Stott irá sugerir três áreas de disciplina que o líder cristão precisa observar: (1) Disciplina do descanso e relaxamento; (2) Disciplina do tempo e (3) Disciplina da devoção.

3. O Problema dos Relacionamentos – como tratar as pessoas com respeito.

É difícil enfatizar suficientemente a importância dos relacionamentos. A vida na terra consiste de relacionamentos. É importante que aprendamos a cultivar bons relacionamentos e o autor nos diz que a base para um bom relacionamento é o respeito e todo ser humano tem seu valor intrínseco. O próximo princípio é tratar o próximo como se fosse o próprio Jesus, tomando por base o texto de Cl. 3:23 “como para o Senhor e não para homens”. O terceiro princípio é demonstrar respeito ao ouvir as pessoas. Fazer uma pessoa se calar ou pedir que ela se cale e se recusar a ouvi-la é tratá-la sem respeito, mas ouvi-la é expressão que reconhecemos seu valor.

4. O Problema da Juventude – como ser um líder quando se é relativamente jovem.

Stott reconhece a dificuldade de ser um líder quando se é relativamente jovem. Muitas vezes os mais velhos os tratam como se ainda fossem crianças. Consequentemente, os jovens muitas vezes ficam irritados e frustrados. O que devem fazer? Para responder essa pergunta, Stott usa o texto de I Tm. 4:11-5:2, extraindo do texto seis conselhos que o apóstolo Paulo deu a Timóteo, lembrando que Timóteo era jovem e por vezes ele teve que assumir o lugar de Paulo em algumas igrejas, um desafio e tanto para o jovem pastor Timóteo.

Desafio da Liderança Cristã, um pequeno e poderoso livro sobre liderança cristã. A leitura do livro é muito fácil e ao mesmo tempo profunda com muita sabedoria prática para os jovens líderes, como eu. Sem dúvida este livro é altamente pertinente, pois os líderes são constantemente desafiados em relação ao seu compromisso com Cristo, com as pessoas, com a disciplina pessoal e com vários outros pontos que fazem deles bons líderes.

Posso dizer, que aprendi muito com a leitura desse pequeno livro. John Stott nos traz muitas experiências pessoais de ministério que nos desafia a manter nosso foco no poder e na força de Deus, quando somos jovens confiamos muito em nossa própria força e naquilo que podemos fazer e por diversas vezes nos esquecemos que servimos ao Senhor pela força unicamente dEle.

Gostaria de terminar com um verso que me deparei durante a leitura do livro e que foi altamente oportuno para minha vida: “Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos” (II Co. 4:1). Que o Senhor nos conceda a graça de liderar de forma eficaz na dependência do Seu poder. Não preciso dizer que recomendo a leitura do livro.