“O Rei Leão” talvez seja um dos melhores filmes que a Disney já produziu na sua história. A primeira vez que assisti a trilogia, eu ainda era criança, e posso confessar que fiquei emocionado em algumas cenas: sem dúvida, a cena que mais marcou foi a morte de Mufasa, o pai de Simba.

Diante do lançamento do filme “o Rei Leão Live Action”, lançado no mês e ano correntes (18 de Julho de 2019), resolvi assistir novamente a trilogia para depois assistir o lançamento. Como disse antes, a última vez que assisti, creio que tenha sido há mais de 20 anos. Porém, desta vez, com conhecimento bíblico mais sólido do que 20 anos atrás, pude destacar cenas que, a princípio, são recebidas como inocentes e inofensivas, mas não são.

O objetivo deste artigo não é criticar o filme, longe disso, sou fã do mesmo. Mas, desejo chamar sua atenção para alguns pontos de perigo que o filme trás e assim, ficarmos em alerta. Destaco três pontos:

 
1. Espiritismo
 

Quando Mufasa é assassinado pelo próprio irmão, Scar, Simba se sente culpado e ainda por cima seu tio joga toda a culpa nele e o aconselha a fugir para nunca mais voltar (claro, Scar tinha a intenção de assumir o trono). Simba foge carregando sentimento de culpa e vergonha. Depois de anos, sua amiga de infância, Nala, reencontra-o e implora para que ele volte pois Scar está sendo um rei terrível. Simba rejeita veementemente, mas sem dizer o motivo, até que Rafiki, (o macaco macumbeiro, como chamo), encontra Simba e o conduz para uma conversa com o espírito de Mufasa.
Neste ponto, encontramos a presença de espiritismo no filme. Alguém pode dizer: pra quê esse exagero? Isso é só um filme infantil! Mas, esse é exatamente o perigo. Sei que pode parecer inocente e inofensivo, mas não é, e quero desenvolver duas razões:
(1) A cena nos induz a pensarmos que os nossos entes queridos que já partiram estão olhando por nós e eles mesmo podem surgir para nos orientar e socorrer em tempos de angústias, dúvidas e tristezas, o que é totalmente contrário à verdade das Escrituras: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Timóteo 2:5).
(2) A cena nos convida a olharmos para o contato com os mortos com um olhar mais aceitável e amigável, pois a cena é emotiva e encorajadora. Pense um pouco, Simba está falando com seu pai novamente depois de anos, especialmente em um momento crítico de sua vida. Isso, com certeza, trás a sensação do desfrutar da presença de um indivíduo cuja ausência trás dor e pesar. Assim, nos leva a uma sensação de encorajamento e bem estar. Porém, é contrário à verdade da Palavra de Deus. “Quando vos disserem: ‘Procurem um médium ou alguém que consulte os espíritos e murmure encantamentos, pois todos recorrem a seus deuses e aos mortos em favor dos vivos’, respondam: ‘À lei e aos mandamentos!’ Se eles não falarem conforme esta palavra, vós jamais verão a luz! (Isaías 8:19-20).
A Palavra de Deus nos ensina que o contato com os mortos é impossível pois, após a morte, os mortos não têm contato com as pessoas da terra e vice-versa. Assim, o contato com os mortos é fruto do pai da mentira, que aproveita a dor e a falta de esperança das pessoas para as conduzir ao erro “…Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44).
Gostaria que notasse que não é algo inocente, é perigoso. Pois uma cena emotiva pode nos fazer olhar para o espiritismo como algo nada ofensivo. Na parábola do Rico e Lázaro, Jesus ensinou a impossibilidade dos mortos se comunicarem com os vivos quando não permitiu a um homem morto voltar aos seus irmãos vivos, nem mesmo para alertá-los sobre o inferno. Os vivos devem ouvir a Palavra de Deus, representada por Moisés e os Profetas.

 
2. Hakuna Matata
 

Após a morte do pai, Simba foge e encontra-se com dois personagens: Timão e Pumba, os quais se tornam bons amigos. Os dois ensinam uma filosofia de vida para Simba, conhecida como “Hakuna Matata” (Sem problemas) – “Os seus problemas, você deve esquecer, isso é viver, é aprender, hakuna matata”.
Mas o que há de perigoso nisso? Se nossa filosofia de vida não for baseada em filmes, séries e moda, então, tudo bem. Contudo, a Bíblia nunca nos manda esquecer os problemas, pelo contrário, ela nos exorta a encará-los e lançá-los sobre Jesus, como também todos os nossos cuidados, aflições, tristezas e ansiedades.
É impossível viver a vida esquecendo dos problemas. Esquecer dos problemas é viver irresponsavelmente. Nossas ideias têm consequências (ação e reação). Uma escolha errada conduz a uma consequência amarga. Mas, se minha filosofia for hakuna matata viverei irresponsavelmente sem dar a mínima para as consequências. “Errando enquanto o tempo me deixar passar” (Kid Abelha).
Infelizmente, convivemos com uma geração de homens-meninos. Homens na idade, mas meninos quanto às responsabilidades. É triste constatar que hoje encontramos indivíduos cada vez menos responsáveis. Não é exagero, mas observe quantos já entraram nas drogas e alcoolismo com o desejo de fugir da realidade. É impossível fugir da realidade. Após o efeito da droga ou do álcool (que também é uma droga), a realidade estará lá, porém com mais um agravante.
Deus nos exorta a não fugirmos ou esquecermos dos problemas, mas a encará-los buscando a solução, com uma vantagem, podemos colocar sobre Jesus Cristo aquilo que nos aflige. “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (I Pedro 5:7). Os incrédulos, não tem essa esperança e por isso se apegam a algo vazio que os levará para um buraco cada vez mais profundo.
“Hakuna Matata é lindo dizer”, mas não é verdadeiro, Deus nos ensina através do apóstolo Paulo que devemos ocupar nossa mente com tudo o que é verdadeiro.

 
3. Prisão do Casamento
 

Na cena onde Simba reencontra sua amiga de infância, Nala, surge um clima entre os dois e envolvem-se em uma música romântica.
Neste ponto, o que quero destacar é Timão e Pumba, os dois ficam insatisfeitos com o romance de Simba e Nala e sabem que ficaram sozinhos novamente.
No final da música a fala dos dois dá a impressão de que o casamento é algo negativo, onde se perde a liberdade. Na versão original, em inglês, a fala deles é: “His carefree days with us are history, in short our pal is doomed”, algo do tipo: “seus dias despreocupados conosco são história, resumindo, nosso amigo está condenado” (doomed – sentenciado, condenado). Na dublagem para o português fica: “sua liberdade está quase no fim, domado está o leão”.
Assim, em ambas as versões, a ideia passada é que o casamento tira a liberdade, como uma espécie de prisão. Porém, a Palavra de Deus nos ensina que é no casamento onde se encontra a liberdade. Liberdade em vários aspectos: no companheirismo, fidelidade, confiança e intimidade. A não ser que você tenha a convicção do dom de celibato, nesse caso, o casamento seria uma prisão.
Apesar do mundo ensinar que o casamento tira a liberdade, é na fase de solteiro onde o indivíduo não tem liberdade. Penso que a concepção do mundo a respeito de liberdade seria “fazer tudo o que der na telha” ou “se permitir”, mas isso é prisão e não liberdade. Por exemplo, o pardal, por mais livre que seja, nunca passa por sua cabeça o desejo de nadar no oceano. Da mesma forma o peixe, com a liberdade de todo o oceano, nunca passa pela sua cabeça o desejo de voar. Para os dois, a execução de qualquer um desses desejos significa morte.
Para o mundo o casamento tira a possibilidade das várias opções de relacionamento físico com quem desejar. Porém, o relacionamento físico com quem se desejar, fora do casamento não traz satisfação, muito pelo contrário, traz frustração, vazio, solidão, tristeza, desprestigio e doença. O que para o mundo é chamado de liberdade, para Deus se chama morte.
É no casamento que encontramos liberdade. No primeiro casamento Deus disse: “Por isso, deixa o homem pai e sua mãe e se une a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne“. (Gênesis 2:24).
 
Enfim, esses são os pontos que desejei desenvolver, não para desprestigiar o filme, mas para que possamos assisti-lo com um olhar mais atento quanto ao mundanismo que traz e apegando-nos cada vez mais as verdades das Escrituras.