STOTT, John. Por que sou cristão. Trad. Jorge Camargo. Viçosa/MG: Ultimato, 2004. p 152.

John Robert Walmsley Stott, mais conhecido mais John Stott. Nasceu na cidade de Londres no dia 27 de Abril de 1921 e faleceu em Julho de 2011. Stott foi pastor e teólogo anglicano, conhecido como um dos grandes nomes mundiais. Serviu como pastor na Igreja All Souls em Londres desde 1950. Estudou na Trinity College Cambrigde, onde se formou em primeiro lugar da classe tanto em francês como em teologia, e foi Doutor honorário por várias universidades, na Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Uma de suas maiores contribuições internacionais são seus livros. Stott começou sua carreira de escritor em 1954, publicando mais de 40 livros e centenas de artigos, além de outras contribuições à literatura cristã. Sua obra mais importante, Cristianismo Básico, vendeu mais de 2 milhões de cópias e já foi traduzida para mais de 60 línguas. Billy Grahanm o chamou de “o mais respeitável clérigo no mundo hoje”.

No livro Por que sou cristão, John Stott não tem a intenção de rebater ponto a ponto os argumentos colocados por Bertrand Russell no seu livro, Por que não sou cristão, mas Stott considera que existe uma defesa a ser feita em favor do cristianismo que Russell nem sequer considerou. É verdadeiro que, Por que sou cristão, não é um livro volumoso para um questionador genuíno que queira pensar profundamente sobre as implicações de se tornar um cristão, porém, o autor mostra claramente que a resposta para o paradoxo existente no coração humano e a chave para a verdadeira liberdade só podem ser encontradas em Jesus Cristo!

Assim, John Stott nos dá sete razões porque é um cristão. Cada motivo é desenvolvido em um capítulo.

1. O CÃO DE CAÇA DO CÉU – O autor destaca que o primeiro motivo dele ser um cristão não foi devido a influência dos pais ou por uma decisão pessoal por Cristo. Mas, porque o próprio Jesus o perseguia incansavelmente, mesmo quando Stott fugia dEle. O autor conta que se não fosse por essa perseguição, ele estaria na lata de lixo das vidas desperdiçadas e descartadas. Para sustentar o argumento, John Stott descreve a conversão do apóstolo Paulo e mais três cristãos.

2. AS AFIRMAÇÕES DE JESUS – A segunda razão está no fato de que as afirmações de Jesus são verdadeiras. Nossa cultura pós-moderna, em reação à autoconfiança da modernidade, perdeu todo o sentido de segurança e afirma que não há verdade objetiva. No entanto, as afirmações do cristianismo são, em sua essência, as afirmações do próprio Jesus. Constantemente Ele falava de si mesmo, falava sobre o reino de Deus e dizia que veio para inaugurá-lo. Falava de Deus como Pai e atribuía a si mesmo como o Filho do Pai. Isso coloca Jesus à parte de todos os outros líderes religiosos do mundo. Eles se anulavam, apontando para a verdade que ensinavam, Jesus, ao contrário, se oferecia a seus discípulos como objeto de fé, amor e obediência. Assim, não há dúvida que Jesus acreditava ser o único. Como C. S. Lewis diz: “Um homem que fosse só homem, e dissesse as coisas que Jesus disse, não seria um grande mestre da moral: seria um lunático […] Ou este homem era, e é o Filho de Deus, ou então foi um louco, ou algo pior.”¹

3. A CRUZ DE CRISTO – Eis a razão fundamental do próprio autor, ele diz:

Eu jamais poderia crer em Deus se não fosse pela cruz. É a cruz que dá credibilidade a Deus. O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou chamando-o de “Deus sobre a cruz”. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela? (p. 67)

Neste capítulo o autor discute principais razões por que Cristo morreu: (1) para expiar os nossos pecados; (2) para revelar o caráter de Deus, e (3) para conquistar os poderes do mal. Em qualquer compreensão equilibrada da cruz, confessaremos Cristo como Salvador (expiando nossos pecados), confessaremos como Mestre (revelando o caráter de Deus) e como vitorioso (vencendo os poderes do mal).

4. O PARADOXO DA NOSSA HUMANIDADE – O cristianismo explica quem eu sou, eis uma razão bastante intrigante. O que significa ser um ser humano? Qual a essência da nossa humanidade? Somente o cristianismo consegue responder essas perguntas em um nível equilibrado, sem ir para o extremo do otimismo humanistas que creem que os seres humanos serão capazes de assumir as rédeas de sua própria história e controlar o próprio destino. Nem ir para o extremo do pessimismo existencialista que creem que embora devamos, encontrar coragem para ser, nada tem significado e no final das contas, tudo é absurdo. Porém o cristianismo de forma realista revela a glória, a vergonha e o paradoxo da humanidade.

5. A CHAVE PARA A LIBERDADE – Liberdade é uma grande palavra cristã. Jesus Cristo é retratado no Novo Testamento como o supremo libertador do mundo. Ele disse que veio libertar os oprimidos (Lc. 4:18) e mais adiante acrescentou: “Se o Filho os libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo. 8:36). Jesus Cristo é a chave da liberdade que a humanidade tanto procura.

6. A REALIZAÇÃO DE NOSSAS ASPIRAÇÕES – O autor destaca que todos os seres humanos possuem vários anseios ou aspirações, os quais só Jesus pode satisfazer. Isso não é apenas uma teoria, é uma afirmação validada por milhões de cristãos. Há uma fome no coração humano que ninguém senão Cristo pode satisfazer. A tese do autor é que o homem possui três aspirações básicas que só Jesus pode suprir: (1) A busca por transcendência; (2) A busca por significado, e (3) A busca por comunidade.

7. O MAIOR DE TODOS OS CONVITES – John Stott conclui o livro com o convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados e vos aliviarei” (Mt. 11:28). Todo mundo procura por descanso, paz e liberdade. Jesus nos diz onde podemos encontrar tudo isso. É debaixo do jugo de Cristo que encontramos descanso. É quando perdemos a nós mesmo que nos encontramos. O Filho de Deus se coloca diante de nós nos oferecendo descanso ao nos achegar a Ele. Um convite dessa natureza não deve ser rejeitado.

Por que sou cristão. Um livro simples, de leitura simples e prazerosa, porém profundo. Um livro de natureza biográfico, porém apologético. Como foi dito anteriormente, o livro não abarca grandes questões filosóficas para questionadores que queiram pensar profundamente sobre as implicações de se tornar um cristão, mas o livro contém muito sabedoria prática e argumentos plausíveis quando a credibilidade do cristianismo.

Indico a leitura deste livro para todos os cristãos e não cristãos, tanto para jovens quanto para adultos. Leia este livro com o coração e a mente aberta e deixe ser confrontado com a verdade do cristianismo, onde o próprio fundador disse: “Eu sou a verdade” (Jo. 14:6). O Senhor Jesus ainda continua chamando: “Vinde a mim”, precisamos, apenas, aceitar o seu convite.

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo vosso coração” (Jr. 29:13)

Posso dizer: vale muito a pena ler o livro!