LEWIS, C. S. Perelandra. Trad. Waldéa Barcellos. São Paulo: Martins Fontes, 2011. p 302.

Clive Staples Lewis, ou C. S. Lewis, como é geralmente conhecido. Nasceu em Belfast, Irlanda no dia 29 de Novembro de 1898, e faleceu em Oxford, Inglaterra no dia 22 de Novembro de 1963, uma semana antes de completar 65 anos. Lewis foi professor universitário, escritor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta e apologista cristã. Durante sua carreira acadêmica, lecionou tanto na Universidade de Oxford como na Universidade de Cambridge. Ficou bastante conhecido por seus escritos de apologia cristã, ficção e fantasia. Dentre suas obras mais conhecidas podemos destacar: As Crônicas de Nárnia, Cristianismo Puro e Simples, Cartas de um diabo ao seu aprendiz, O Problema do Sofrimento, Milagres, etc. Além disso, C. S. Lewis, foi um respeitado estudioso da literatura medieval e renascentista, tendo produzido alguns dos mais renomados trabalhos acadêmicos envolvendo esses temas, destacamos: Alegoria do Amor e A Imagem Descartada. Lewis, foi ateu durante muitos anos e se converteu ao cristianismo em 1929. Essa experiência o ajudou a entender não somente a indiferença como também a indisposição de aceitar a religião; e, como autor cristão, com sua mente incrivelmente lógica e brilhante, seu estilo lúcido, fez dele um grande pensador, escritor e apologista.

Perelandra, segundo volume da trilogia cósmica de Lewis. Os livros foram escritos durante os tensos momentos que antecederam a 2a Guerra Mundial (1938-1945). Perelandra foi publicado pela primeira vez no ano de 1944. A Trilogia Cósmica, é mais voltado para o público adulto, diferente das Crônicas de Nárnia, que apesar de, também ser ficção e fantasia, pode ser apreciado tanto por crianças como adultos.

Perelandra pode ser lida independentemente, mas também é uma sequência de Além do Planeta Silencioso, onde continuamos a acompanhar as aventuras do personagem principal, o filólogo Elwin Ransom, que no volume anterior, ele havia viajado de maneira involuntária para Malacandra (planeta Marte). Porém, nessa nova aventura, o filólogo é “convocado” para uma nova viagem, onde o destino será o planeta Perelandra que para nós seria o planeta Vênus.

A narrativa de Perelandra é feita na primeira pessoa por um dos amigos do Ransom, que no caso seria o próprio C. S. Lewis que se coloca como personagem dentro da história. Esse amigo irá ajudá-lo a se preparar para viagem e que em seguida nos contará tudo o que aconteceu com o filólogo enquanto ele esteve em Perelandra. Pois quando Ransom volta, ele conta tudo ao personagem Lewis que, por sua vez nos conta com detalhes todas as experiências vividas por Ransom em Perelandra.

Em Perelandra, o personagem principal desenvolverá diversos diálogos com uma habitante do planeta, essa personagem será chamada de Dama, e ela é a única mulher naquele planeta. Na verdade, Perelandra é um planeta novo e portanto só existem dois habitante o Rei e a Rainha (Dama). A Rainha se perdeu do Rei e acabou se encontrando com Ransom, onde os dois desenvolvem alguns diálogos e através deles conseguimos extrair conceitos como: o uso da linguagem e seus significados; conceitos de antropologia, o que é o homem, o que define o homem; conceitos da criação, tentação, queda e redenção. Como eu disse a pouco, Perelandra é um planeta recém criado, um paraíso, similar ao que poderia ter sido o paraíso no planeta Terra, antes da queda, é claro. Da mesma forma, Perelandra, um mundo perfeito, também está ameaçada de corrupção (queda), pois, assim como houve um tentador/sedutor na Terra, assim será em Perelandra. As perguntas que nos instiga a leitura são: será que o que é narrado em Gênesis 3 se repetirá em Perelandra? Como será que a Dama resistirá as tentações? Deixo as respostas para você leitor. As respostas para tais perguntas deixo para você encontrar durante a leitura do livro.

Em termos de escrita, fica claro que Perelandra se trata de uma história de ficção e quando Lewis escreve ficção, ele escreve ficção e não teologia, apesar de que, mesmo em seus livros de ficção é possível nos deparar com vários elementos cristãos. Então, para o leitor cristão que está familiarizado com teologia, sem dúvida alguma, durante os diálogos desenvolvido pelos personagens, o leitor reconhecerá alusões a conceitos teológicos.

Quanto a narrativa do livro, Lewis tem o poder de nos colocar não só dentro da história, mas de nos colocar dentro do próprio planeta, nos descrevendo diversos locais e características como a fauna e flora do planeta. Perelandra é um planeta recém criado e nos é descrito um planeta perfeito, novo, e extremamente belo. Através da experiência do humano Ransom, o leitor sentirá uma sensação de deleite contemplando aquele planeta. Como se fosse um de nós que estivesse lá por algum tempo. Lewis coloca Ransom experimentando a verdadeira alegria, prazer e beleza.

Posso dizer que vale muito a pena ler o livro.